{"id":2518,"date":"2017-08-14T15:01:51","date_gmt":"2017-08-14T19:01:51","guid":{"rendered":"http:\/\/sspmcnp.com.br\/?p=2518"},"modified":"2017-08-14T15:03:05","modified_gmt":"2017-08-14T19:03:05","slug":"brasil-tem-menos-servidores-publicos-do-que-os-paises-desenvolvidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sspmcnp.com.br\/?p=2518","title":{"rendered":"Brasil tem menos servidores p\u00fablicos do que os pa\u00edses desenvolvidos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">A cada 100 trabalhadores brasileiros, 12 s\u00e3o servidores p\u00fablicos. A m\u00e9dia \u00e9 a mesma verificada nos demais pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, de acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE). J\u00e1 nos pa\u00edses mais desenvolvidos, o percentual costuma ser quase o dobro \u2014 nesses locais, a m\u00e9dia \u00e9 de 21 funcion\u00e1rios a cada 100 empregados. Em na\u00e7\u00f5es como Dinamarca e Noruega, mais de um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa est\u00e1 empregada no servi\u00e7o p\u00fablico.<\/span><\/p>\n<div id=\"publicidadeinterna\" style=\"text-align: justify;\">\n<p><span style=\"color: #000000;\">Apenas no \u00e2mbito federal, o Brasil conta com 2,2 milh\u00f5es de funcion\u00e1rios, 250 mil a mais que h\u00e1 10 anos \u2014 alta de mais de 10%. No mesmo per\u00edodo, a despesa anual com esses servidores saltou de R$ 115 bilh\u00f5es para R$ 264 bilh\u00f5es, um aumento de 129%. As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o do Boletim Estat\u00edstico de Pessoal, do Minist\u00e9rio do Planejamento, Or\u00e7amento e Gest\u00e3o. J\u00e1 a quantidade de servidores municipais chegou a 6,5 milh\u00f5es em 2015, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Apesar de os n\u00fameros absolutos impressionarem, especialistas dizem que os dados da OCDE provam que, na compara\u00e7\u00e3o com os outros pa\u00edses, a quantidade n\u00e3o pode ser considerada exorbitante. \u201cN\u00e3o \u00e9 que o Brasil tenha servidores demais. Tem uma popula\u00e7\u00e3o grande e, consequentemente, um n\u00famero expressivo de servidores p\u00fablicos. N\u00e3o se pode analisar de forma descontextualizada\u201d, explica a professora M\u00f4nica Pinhanez, doutora em Desenvolvimento Internacional e Pol\u00edticas P\u00fablicas pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT). Afinal, com 204 milh\u00f5es de habitantes, o pa\u00eds tem a quinta maior popula\u00e7\u00e3o mundial.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">\u201cEsse dado, sozinho, n\u00e3o significa que tenha mais ou menos efici\u00eancia\u201d, pondera. A vis\u00e3o de que o n\u00famero de funcion\u00e1rios determina se uma na\u00e7\u00e3o \u00e9 muito ou pouco desenvolvida \u00e9, nas palavras dela, preconceituosa. \u201cTem que qualificar a quest\u00e3o, ver que servi\u00e7os s\u00e3o oferecidos em contrapartida. Tem, tamb\u00e9m, o fato da economia ser mais ou menos liberal. Al\u00e9m disso, \u00e9 importante notar que pa\u00edses menos desenvolvidos, muitas vezes, dependem do setor p\u00fablico para empregar a comunidade\u201d, argumenta a professora.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Produtividade<\/span><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Julgar a realidade do funcionalismo p\u00fablico apenas com n\u00fameros \u00e9 um erro comum, concorda o especialista em governan\u00e7a e pol\u00edticas p\u00fablicas Ant\u00f4nio Lassance, do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea). \u201cN\u00e3o existe uma quantidade ideal de servidores. Ficar com n\u00fameros muito baixos ou muito altos pode ser um mau sinal, dependendo da produtividade desses servidores. Estamos longe de n\u00fameros civilizados a esse respeito\u201d, acredita o pesquisador.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">Para Cl\u00e1udia Passador, especialista em gest\u00e3o p\u00fablica da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), n\u00e3o h\u00e1 falta de funcion\u00e1rios. \u201cNem sobra. Tradicionalmente, n\u00e3o temos hist\u00f3rico de excesso de servidor, de cabide de emprego. O que tem \u00e9 car\u00eancia de ferramentas de gest\u00e3o na estrutura dessas organiza\u00e7\u00f5es\u201d, afirma. \u201cLonge de ser um incha\u00e7o, o problema no setor p\u00fablico \u00e9 que a administra\u00e7\u00e3o parou na d\u00e9cada de 1930. Falta atualiza\u00e7\u00e3o das ferramentas, uma reforma administrativa.\u201d<\/span><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">Desequil\u00edbrio<\/span><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">O que preocupa os especialistas \u00e9 a desigualdade na distribui\u00e7\u00e3o dos servidores em cada \u00e1rea. \u201cAs pessoas t\u00eam a falsa ideia de que a falha do servi\u00e7o p\u00fablico \u00e9 de excesso de funcion\u00e1rios. Mas n\u00e3o \u00e9\u201d, garante Lassance. O problema n\u00e3o \u00e9 quantitativo, mas qualitativo, explica. Enquanto sobram funcion\u00e1rios em certas \u00e1reas, como no Legislativo, faltam em servi\u00e7os b\u00e1sicos, como sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o. \u201cH\u00e1 defici\u00eancias em v\u00e1rias \u00e1reas. N\u00e3o porque n\u00e3o haja profissionais habilitados, mas porque os sal\u00e1rios, muitas vezes, n\u00e3o s\u00e3o atrativos\u201d, acredita o pesquisador.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">\u201cAlguns servidores custam muito caro, principalmente nos poderes Legislativo e Judici\u00e1rio. O chamado teto salarial do servi\u00e7o p\u00fablico foi completamente desmoralizado, sobretudo pelo Judici\u00e1rio, que paga tr\u00eas, quatro, cinco vezes o teto a alguns ju\u00edzes e desembargadores\u201d, avalia Lassance. Segundo dados do Planejamento, cada servidor do Judici\u00e1rio custa, em m\u00e9dia, R$ 123 mil por ano, enquanto o gasto anual com um funcion\u00e1rio do poder Executivo \u00e9 de R$ 42,7 mil. No Legislativo, a diferen\u00e7a \u00e9 ainda mais evidente: o custo de cada servidor \u00e9, em m\u00e9dia, R$ 153 mil por ano.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Com base nesses n\u00fameros, Lassance acredita que o Brasil est\u00e1 dando o recado errado \u00e0s pessoas que se formam nas \u00e1reas de humanas, biologia ou matem\u00e1tica. \u201cO pa\u00eds est\u00e1 dizendo \u2018larga disso. Vai ser consultor legislativo, auditor de um tribunal de contas ou v\u00e1 trabalhar no Judici\u00e1rio. Vale mais a pena\u2019\u201d, argumenta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">O desequil\u00edbrio existe tanto nos sal\u00e1rios quanto na distribui\u00e7\u00e3o de pessoal, afirma o professor Cl\u00f3vis Bueno de Azevedo, do Departamento de Gest\u00e3o P\u00fablica da Escola de Administra\u00e7\u00e3o de Empresas de S\u00e3o Paulo da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas. \u201cDizer que tem incha\u00e7o na m\u00e1quina p\u00fablica no Brasil \u00e9 bobagem. O que temos \u00e9 uma distribui\u00e7\u00e3o ruim de pessoal\u201d, afirma. H\u00e1 despropor\u00e7\u00e3o, segundo ele, no n\u00famero de funcion\u00e1rios em \u00e1reas urbanas e rurais, entre as capitais e o resto do pa\u00eds e entre os servi\u00e7os do centro e da periferia. \u201cEm S\u00e3o Paulo, por exemplo, tem muito menos m\u00e9dicos na periferia que nas regi\u00f5es centrais\u201d, pontua.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Correio Braziliense<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cada 100 trabalhadores brasileiros, 12 s\u00e3o servidores p\u00fablicos. 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